O carro e a decepção

Fala pessoal tudo bem com vocês? Eu estava nos artigos passados falando sobre o carrinho que nós adquirimos e hoje venho falar da primeira decepção que tivemos ao adquirir o nosso Peugeot. Foi tudo bom até aquele momento, mas no dia 24/04/2025 a minha esposa abortou.

Esse artigo não terá fotos específicas, visto que foge da sensatez alguém fotografar e expor aquele que sequer veio a ter uma vida “normal”. Eu esperei que passasse algum tempo para que ela digerisse o ocorrido e não ficasse chateada por escrever sobre o assunto.

Sim, o nosso processo de aquisição do nosso carro teve um propulsor de interesse que foi a gestação da minha esposa e como você deve ter lido no artigo Compramos nosso primeiro carro, eu disse que estava pesquisando e aprendendo sobre carros e pois precisava ser RÁPIDO. Assim que eu achei o Peugeot 508 e que na segunda vistoria o Zaisov havia me dado aval, eu fiz a aquisição.

Eu precisava do carro… E era para ontem. Os motivos, eu já vou explicar…

Desde que minha esposa descobriu a gestação, menstruação cessou, a fome aumentou gradativamente, ela ficou mais cansadinha, ela teve que cessar o uso de medicamentos para acne, fez consultas no ginecologista, ultrassom, preventivo, etc.

Por volta da sétima semana começou um corrimento sanguíneo. A ginecologista foi informada e pediu que ela usasse Utrogestan. Uma de nossas amiga é médica, pediatra, obstetra também recomendou e, quando foi feito o ultrassom, vimos que existia um hematoma intrauterino.

OK. Infelizmente essas coisas acontecem e seria uma gestação de maior risco.

Eu já fiquei com a pulga atrás da orelha. Primeiro pois era a primeira gestação e segundo que, pela minha experiência como dentista, quando uma coisa começa a dar errado ela dificilmente volta ao seu curso normal sem complicações sérias.

Mas Deus sabe das coisas… A gente não esperava a gestação e ela veio. Agora a gente vai urrar para oferecer um ambiente o mais saudável possível para o brotinho e se Deus permitir no futuro ele será um servo do Senhor.

Brotinho. Foi esse o nome carinhoso que demos para a vida que estava em desenvolvimento.

Então, por volta do fim da 8ª semana, a fome que minha esposa estava sentindo deu uma reduzida. Estranhamos, mas ela continuou se alimentando normalmente.

Nós conversamos sobre isso e sabíamos que: se Deus quiser, Ele dá. Se Ele não quiser, Ele tira.

Na 9ª semana, o sangramento aumentou um pouco mais. A Jéssica ficou muitíssimo chateada, pois ela queria muito que todo o esforço que ela fizesse se convertesse na redução do sangramento e do hematoma.

Infelizmente, mais cedo ou mais tarde as pessoas vão entender que o melhor que elas podem fazer é só o melhor que elas podem fazer.

Como assim?

Você pode fazer o melhor para colocar as chances ao seu favor, mas não pode fazer a chance cair em você. É necessário apostar para ganhar na Mega-Sena. Não quer dizer que quando você apostar será você o ganhador do prêmio.

A Jéssica então agendou novo ultrassom.

Resultado?

O hematoma dobrou de tamanho.

A Jéssica ficou ainda pior.

Antes, ela achava que o esforço dela não tinha valido muito. Agora ela tinha certeza.

Os cuidados continuaram, mas ela ficou com um ar de derrota, abatimento e decepção durante os dias. Eu esperava isso, dado à expectativa que tínhamos do brotinho se desenvolver plenamente.

Terminada a 9ª semana, o sangramento deu uma estabilizada. Ficamos muito contentes, graças a Deus.

A 10ª semana e durante boa parte da 11ª semana foram parecidas. Entretanto, por volta do dia 20 de abril o sangramento voltou… E voltou com uma cor de vermelho vivo. Eu me lembrava que se uma coisa começou ruim, ela dificilmente volta ao seu curso normal sem complicações sérias.

Na verdade esse sangramento foi pior… Pois agora além do sangue vermelho rutilante, haviam pequenos coágulos.

No sábado, continuou.

No domingo também… A Jéssica já utilizava absorventes para conter o sangramento e haviam algumas cólicas.

Eu tive muita pena dela… O melhor que eu podia fazer era consolar e lembrar que mesmo que fizéssemos tudo que podíamos, não depende de nós, mas de Deus.

É do Senhor toda vida que existe no mundo. Nós somos os servos.

Na segunda feira houver muito mais cólicas… A ponto dela precisar tomar analgésicos para amenizar. Quando chegou a noite as cólicas ficaram ainda muito mais intensas.

Fomos para o hospital por volta de 22:30 a pé, pois moramos muito próximos dele e fomos atendidos rapidamente. Nos informaram que aparentemente estava “tudo ok”, embora desconfiássemos que estivesse em processo abortivo…

Como já estava tarde, fomos dormir… Eu infelizmente não poderia ficar a noite toda acordado pois eu preciso de um tempo mínimo por dia de sono… Num futuro, se Deus permitir, eu explicarei isso…

Infelizmente a Jéssica não dormiu.

As dores não deixaram…

Por volta de 3:00 ela me acordou por conta de muita dor… Era literalmente e visivelmente MUITA dor. Ela foi no banheiro e expelia coágulos… Ela chorava e chorava abundantemente… Até que ela sentiu algo vindo a ser expelido e se deu conta que era o brotinho e que a gestação havia sido interrompida…

Ela ficou em prantos e o início de um problema havia começado…

Descemos às pressas para o hospital por conta das contrações fortíssimas que ela estava sentindo… A dor era tão grande que antes dela chegar no carro tinha vomitado…

Foi aí que eu entendi que ter um carrinho e a pressa para adquiri-lo não foram em vão… A gente nunca imagina que o improvável vai ocorrer e foi por conta que havíamos uma reserva que pudemos comprar o carro tão rápido e, pela primeira vez, ele teve uma utilidade realmente muito boa…

Demos entrada no hospital às 3:30… Demorou um pouco a sermos atendidos, mas quando a Jéssica foi chamada, logo foi para a internação e ficou no soro e com analgésicos… Explicamos o ocorrido às residentes, enfermeiras e médica.

Eu havia sido recém contratado pela Oral Unic de Jaraguá do Sul e estava cobrindo a agenda de um dos dentistas que havia se afastado devido a um acidente ocorrido com a esposa. Eu não costumo ficar pensativo com a profissão, mas fiquei receoso de ser despedido no momento que enviei para o chefe que eu não poderia ir no trabalho no outro dia e os motivos para isso…

O tempo passava e a minha esposa não parecia melhorar absolutamente nada.

Meu chefe e a equipe do meu trabalho compreenderam a situação, lamentaram pelo ocorrido e se colocaram disponíveis caso precisássemos de ajuda. “Graças a Deus não fui despedido”, eu pensei.

O tempo passou e já era praticamente 10:00 horas da manhã e ela ainda continuava com dores… Foi então que deram outro tipo de analgésico e as dores cessaram…

As enfermeiras pediram que ela se levantasse para se dirigir a para a sala de ultrassom, mas ao sair da maca uma pelota grande de coágulo e provavelmente de tecido uterino caíram no chão.

A residente ficou espantada… Eu percebi que a Jéssica também… Talvez ela deve ter pensado na hora “meu Deus perdi um órgão”.

Então, colocaram-na numa cadeira de rodas e uma enfermeira nos levou para realizar o exame. Fomos para o andar inferior. A enfermeira pediu que esperássemos no corredor para conferir se a sala estava disponível para o exame.

Não estava.

Ficamos esperando no corredor e sem mentira… Estava muito frio.

Antes da Jéssica ter ido para o hospital, ela já estava sem comer há várias horas. Naquele momento já tinha passado das 10 horas da manhã e ela ainda não havia colocado nada no bucho… O que aconteceu? Ela começou a ter vertigem…

Possivelmente por conta do susto de ter visto um coágulo daquele tamanho cair no chão mais a fome…

E lá vai eu procurar ajuda…

Vieram nos acudir rapidinho e nos levaram para uma sala de ultrassom enquanto ela ficou deitada até que o radiologista viesse… Colocaram um cobertor nela e aos poucos ela foi melhorando.

Demorou uns 15 minutos até o exame e ela já estava melhor.

Saímos com ela na cadeira de rodas e, se não me engano, voltamos para a enfermaria em pouco tempo…

Ao chegar lá, fomos redirecionados para que ela ficasse num quarto separado.

Já era quase meio dia e eu estava com muita fome… Como moramos muito próximo do hospital, combinamos que eu ia almoçar e voltaria para o hospital novamente.

Foi apenas o tempo de almoçar e ela foi liberada!

Graças a Deus! Voltei para o hospital animado para buscar o meu amor! “Ahhh, graças a Deus ela vai se recuperar ema casa!”, eu pensava comigo.

Cheguei no quarto dela e fomos saindo!

Viramos o corredor e ela começou a ficar tonta e querer vomitar…

Aiai… Claro né… Quase 14 horas sem comer, perdeu um tanto de sangue. Assustada e cheia de dor. Ia ficar fraca mesmo…

As enfermeiras ao verem, levaram ela para a enfermaria novamente… Infelizmente, eu tinha que avisar a Prefeitura de Jaraguá do ocorrido… Tem algumas coisas que eu acho fora do normal… Essa é uma delas… O funcionário tem 48 horas para ir lá na Prefeitura avisar o motivo de não ter ido ao trabalho… E só funciona até às 16:00 horas… E pasme já me contaram que a pessoa foi com dreno e tudo para justificar…

Eu acho um absurdo. Eu entendo que já deve ter tido muita falcatrua de justificativa infundada ou mentirosa, mas tem medidas que passam dos limites…

E lá vai eu lá do outro lado da cidade avisar que a minha esposa não foi trabalhar pois ela teve um aborto… Óbvio que eu levei a declaração do hospital do ocorrido…

A mulher olhou para a minha cara e disse “ela vai ter que ser avaliada no dia Tal de Tal, às tantas horas”. Ok, fazer o que né… Peguei o papel com o aviso e os documentos necessários para a perícia médica…

Voltando para o hospital para buscar a Jéssica ela me ligou avisando que havia sido liberada!

Ela me disse que deram uma injeção com umas vitaminas e ela ficou bombástica e revigorada igual à mulher maravilha. Eitaaa!!!

Para alguém que estava o bagaço há uns 30 minutos atrás, isso foi uma boa reviravolta!

Desci com ela. Botei no carro. Voltamos para casa.

Finalmente, minha esposa estava comigo e fora do hospital!

Foi o fim da gestação do brotinho, mas não dos problemas…

O sangramento só parou com aproximadamente 1 mês… E tinha que usar absorvente grande o dia todo, pois descia bastante sangue… E coágulos…

As vitaminas e alguns hormônios ficaram meio bagunçadas e só soubemos disso recentemente por volta do dia 26/06.

O ciclo menstrual parece ter normalizado.

O hospital não forneceu a vacina anti-RH (eu sou A+ e ela é A-)… Então, a próxima gestação possivelmente terá um risco ainda maior de aborto…

Deus sabe de todas as coisas, nós não.

Ele também sabe se um dia teremos outro filho ou não.

A vida no mundo contaminada pelo pecado é IMPERFEITA. Somente na Glória com o Senhor é que a vida será plena. Até lá, nós seguimos com as alegrias e aflições até o dia que o Senhor voltar ou Ele nos tomar para Si.

Exatamente no dia do aborto o carrinho de bebê chegou. Exatamente no dia do aborto seria o dia do exame de ultrassom da 12ª semana. Que ironia, não?

Espero que esse texto tenha te mostrado que às vezes uma gestação não ocorre como gostaríamos e as chateações podem ser bem maiores do que nos contaram ou que imaginávamos.

Ficamos tristes, mas graças a Deus hoje ela está bem melhor!

Acontecem umas coisas estranhas às vezes né. Bem… Vida que segue e se Deus quiser vamos ter oportunidade para ter outro brotinho. Até lá, a gente vai contando para vocês das novidades!

Espero reencontrar você por aqui no futuro! Enquanto o próximo artigo não chega, a gente pode conversar aqui pelos comentários ou pelas redes sociais!

Nos segue lá! O meu instagram é @drmarcoslopes_ e o da Jéssica é @jessifelix_l

Que Deus te abençoe e proteja!

Do seu amigo e redator,

Marcos Lopes

Categorias: Cotidiano
Marcos e Jéssica

Escrito por:Marcos e Jéssica Todos os artigos do autor

Marcos Lopes e Jéssica Félix são os autores aqui no blog Dois Aqui! Somos dentistas em Jaraguá do Sul, cristãos e amantes do pão de queijo e de um cafezinho quente.

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