A hora do café

Existe uma hora do dia em que crio dentro de mim a expectativa inebriante de sentar na mesa reunida com a família. É aquele momento em que, após um dia todo de trabalho, nos sentávamos todos juntos ao redor da mesa sob aquele cheiro de afeto que o café nos traz acompanhado daquele pãozinho com queijo tostado na frigideira, ou aquela broa recém saída do forno preparada pela mamãe.

Nessa miscelânea de quitutes doces e salgados, em meio a chás e cafés, e queijos dos mais diversos tipos é que eu voltava para a casa após o trabalho – hora esperada do dia, a hora do café.

Ali naquela mesa nos atualizávamos sobre o dia, cada um com suas histórias e conversas, com seus humores e dissabores, descrevendo as alegrias, ou tristezas. Muitas das vezes essas conversas não se resumiam ao dia de trabalho, mas simplesmente eram conversas aleatórias sobre muitos nadas importantes. Gastávamos ali um bom tempo ao redor da mesa – mesmo com algumas tarefas e afazeres a serem realizados. Aquele era um tempo precioso, jamais desperdiçado e muito bem proveitoso. Tenho o privilégio de ter nascido em um lar que prezava por esses momentos e a voz do meu pai que nos chamava para a mesa ainda ecoa em meus ouvidos:

“ Vamos tomar um café meus amores?”

Mesmo após ter saído da casa dos meus pais pude vivenciar esses momentos prazerosos nas casas e cidades onde morei. Dividindo apartamento com mais uma ou cinco pessoas, posso dizer que em todos esses lugares, após o dia inteiro de trabalho ou estudos, tive a experiência do café da tarde. Eram momentos em que dividíamos experiências culinárias e culturais, diversificando ainda mais as nossas conversas.

É claro que esses momentos não se repetiam todos os dias, infelizmente. Afinal, somos todos muito atarefados, cheios de trabalho e compromissos – tempo é dinheiro. Não eram todos os dias em que estávamos a fim de conversar ou gastar todo aquele tempo na mesa, era um corre corre pra lá e pra cá, prazos para cumprir, o cansaço batendo na porta, estresse do dia a dia impossibilitando qualquer tipo de diálogo prazeroso.

Triste realidade, mas realidade. Pensando bem essa realidade não é tão triste assim, pois agora quando tenho esses momentos em minha casa, eles se tornam mais prazerosos e preciosos ainda. Fico pensando em como momentos tão simples como um cheiro de café e o sabor de um pãozinho com manteiga ou queijo podem despertar em nós memórias tão afetivas! Ou se não isso, outros cheiros e sabores por aí…

Talvez esse seja o tema de um novo texto, que tal?

Um beijo e um queijo.

Categorias: Cotidiano
Jéssica Lopes

Escrito por:Jéssica Lopes Todos os artigos do autor

Jéssica Félix Lopes é autora no blog Dois Aqui, dentista em Jaraguá do Sul, casada com o Marcos Lopes, cristã, cinéfila, gosta de plantinhas, cafezinho quente e brownie bem chocolatudo.

1 ideia sobre “A hora do café”

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